Saiba o que é a Meditação Pindamonhangaba, São Paulo

O presente artigo explica o que e meditacao e para que serve. A meditação é um tema relativamente novo no Ocidente, ou pelo menos no Ocidente moderno. Saiba mais abaixo.

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Saiba o que é a Meditação

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Parte 1

No transcurso das últimas décadas ocorreram muitas mudanças em diferentes partes do mundo, especialmente no mundo ocidental. Ocorreram mudanças políticas, culturais, sociais, assim como grandes mudanças tecnológicas. Até poderíamos dizer que nas últimas décadas ocorreram mais mudanças no mundo, e particularmente no mundo ocidental, que em qualquer outro período da história humana. Pelo menos no que respeita aos assuntos humanos, nas últimas décadas, se notou um ritmo cada vez mais acelerado. Isto parece estar ocorrendo em períodos cada vez mais curtos. Tempos atrás, quando o ritmo de vida era mais lento, e dava tempo para “crescer”, passavam várias gerações antes que alguma novidade em algum aspecto particular da vida começasse a ser evidente.

Atualmente, no entanto, as coisas são diferentes: agora podem perceber-se mudanças no curso de uma vida, e ainda no curso de uma década ou de meia década. Podemos notar este ritmo acelerado em quase todos os campos da vida humana, seja na política, no social, econômico ou cultural. Não obstante, neste capítulo nos concerne só um destes campos, ao que chamaremos usando um termo bastante amplo e neutro, o campo cultural. Neste campo em particular, as mudanças maiores, mais significantes e também, potencialmente, os mais importantes que ocorreram em anos recentes estão relacionados com o tema da meditação. No Ocidente há quinze ou vinte anos mal se tinha ouvido mencionar o tema da meditação. O pouco que se sabia, ou o infortunado interesse que se notava, se devia a pequenos grupos isolados e a indivíduos originais.

Hoje em dia, poderíamos dizer que a meditação é uma palavra de uso comum e corrente. No entanto, o fato de que a palavra meditação seja tão familiar não implica que seu significado, e o que esta realmente representa, esteja claro e que se lhe entenda corretamente. Quantas vezes tens ouvido dizer: “A meditação consiste em colocar a mente em branco”. Outros parecem pensar que meditar é sentar-se à toa. Apesar de que sentar-se à toa pode ser algo que valha a pena, a isto não pode chamar de meditação.

Também se ouve dizer a miúdo que meditar é se sentar e observar nosso umbigo, torcendo a vista ao fazê-lo; ou que é entrar em uma espécie de transe (infelizmente um conhecido escritor de livros de budismo popularizou, em certo sentido, a palavra “transe” como sinônimo da palavra meditação). Há outros que pensam que meditar é se sentar em silêncio e pensar “dando-lhe volta às coisas na mente”. Também há aqueles que acham que meditar é entrar em algo assim como um estado de auto-hipnose. Estas são algumas das idéias errôneas, mais comuns em volta da meditação. A causa de todos estes mal-entendidos é bastante evidente.

A meditação é um tema relativamente novo no Ocidente, ou pelo menos no Ocidente moderno. Não tem surgido nada comparável, pelo menos na história recente, dentro de nossa experiência. Nem possuímos sequer as palavras corretas, os termos técnicos próprios, para descrever os estados e processos da meditação. É, portanto, natural que existam estes mal-entendidos. Por outro lado, devemos lembrar que a meditação é essencialmente pragmática, algo que se deve praticar e experimentar. Ainda assim, para a grande maioria, os conhecimentos sobre a meditação provêm de rumores e não da prática ou da experiência própria. De modo que as opiniões mais comuns se baseiam em informação de segunda, terceira e ainda de quarta mão. Inclusive alguns recorrem aos livros para obter conhecimento sobre a meditação.

Hoje em dia no mercado há uma grande quantidade de livros que tratam, ou aparentam tratar, da meditação. Mas lamentavelmente os livros mesmos, com muita freqüência, estão baseados em rumores mais que em uma experiência e conhecimento diretos; em casos extremos até podem estar baseados na mais pura especulação. Existe já, no campo da meditação, uma grande quantidade de pessoas que se autodenominam experts. Quando um tema chega a ser tão popular como está chegando a sê-lo a meditação, sobram os que desejam aproveitar-se da situação.

Neste particular, recordo minhas experiências durante o ano da comemoração do Buda Jayanti, ano em que o mundo budista realizava os 2500 anos do Paranirvana ou morte do Buda, e também os 2500 anos do budismo. O governo hindu cobria as despesas das comemorações em toda a Índia, enquanto os governos do sudeste da Ásia cobriam as despesas das comemorações nos seus respectivos países. Assim surgiu um grande interesse e a demanda da literatura budista cresceu tanto, que muita gente começou a escrever livros, panfletos e artigos sobre o budismo, em alguns casos sem nenhuma aptidão, tomando informação daqui e dali, de fontes mais ou menos confiáveis; e assim muitos sustentavam que tinham produzido uma nova reflexão sobre o budismo.

No Ocidente, hoje em dia, as questões espirituais em geral têm uma grande demanda, e entre elas em particular a meditação. Um grande número de pessoas se sente insatisfeitas com suas vidas, com a maneira convencional de viver e de fazer as coisas. Não aceitam as explicações puramente cientistas da vida; nem se sentem do satisfeitos com as explicações tradicionais dadas em termos, mais que nada, judeu-cristãos. Portanto, começaram a buscar algo que lhes proporcione mais uma satisfação profunda, mais duradoura, mais criativa e mais construtiva.

Alguns buscam no legado das tradições espirituais do Oriente, e particularmente no campo da meditação, adquirindo conhecimentos sobre esta e tratando de colocá-los em prática. Estas pessoas querem assistir a fins-de-semana dedicados a esta prática, e assim se cria a demanda no campo da meditação. Sem dúvida, são muitos os que estão dispostos a se aproveitar da situação e recorrem a satisfazer a demanda. Haverá alguns com as aptidões necessárias para satisfazer esta demanda, dividindo doutrinas sobre a meditação, enquanto outros não as terão; o que pode produzir toda classe de mal-entendidos. É um erro comum pensar que há realmente só um tipo de meditação, ou que a prática de meditação está restringida ao uso de uma técnica particular de concentração.

Às vezes os que conhecem ou praticam só um destes métodos tendem a conceber a meditação em termos muito limitados e muito particulares; há os que afirmam que o método que eles praticam é o melhor, mais ainda, que é o único e que aqueles que não o praticam não podem estar meditando. Estas pessoas sustentam que as outras técnicas, os outros métodos e as outras tradições não têm nenhum valor. Esta é a classe de erro que se comete. Portanto, é cada vez mais urgente que se esclareçam ditas confusões e que se resolvam os mal-entendidos. É cada vez mais importante que entendamos claramente o que é a meditação. Para isso devemos lembrar o que se disse anteriormente com relação ao grande abismo que existe entre o real e o ideal: há uma grande distância que separa ao ser humano ordinário e ignorante do ser Iluminado, do Buda. Além disso, devemos lembrar o que é o budismo na sua essência.

Como vimos no capítulo anterior, o ser humano Iluminado ou Buda, representa uma forma de ser e de consciência para a que não há equivalente no pensamento ocidental e, portanto, que para não existe um termo adequado. O termo “Buda” não significa Deus, ser supremo, criador do universo, nem Deus encarnado, muito menos significa ser humano no sentido ordinário. Talvez possamos entender melhor o que é Buda do ponto de vista do processo evolutivo. Um Buda é um ser humano, mesmo que uma classe muito especial de ser humano: Buda é o ser humano perfeito. Isto é, alguém que alcançou, que realizou completamente o estado de perfeição espiritual chamado Iluminação. Isto é o que significa a palavra Buda. E o budismo é tudo aquilo que ajuda a salvar o abismo que existe entre o real, entre o ser humano ordinário e o ideal, o ser humano Iluminado.

O budismo é tudo aquilo que nos ajuda a amadurecer, a crescer espiritualmente, a evoluir. Quando o humano real se transforma em humano ideal, quando o humano ignorante chega a iluminar-se, ocorre uma mudança tremenda, uma mudança que talvez seja o maior que possa se produzir. Este processo de transformação é o que chamamos a Vida Espiritual ou Evolução Superior. Mas, a pergunta é óbvia:

O que é o que muda?

E em que consiste esse desenvolvimento, essa evolução?

Evidentemente não é o corpo físico o que muda: o ser humano ordinário e o Iluminado são muito parecidos no seu aspecto físico. As mudanças que ocorrem são puramente mentais, no sentido mais amplo da palavra. O que evolui é a consciência, e isto marca a grande diferença entre a Evolução Superior e a Evolução Inferior. Chama-se evolução inferior o processo de transformação desde a ameba até o ser humano ordinário. Este é um processo de evolução, mas que nada biológico e que finalmente torna-se psicológico. A Evolução Superior corresponde ao processo de transformação que conduz do ser humano ignorante ao ser humano Iluminado. Este é um processo puramente psicológico e espiritual, que pode, com o tempo, dissociar-se do corpo físico. Mas, a tradição budista nos fala de quatro graus ou níveis de consciência, cada um supera o anterior.

Primeiro está à consciência associada ao plano, ou “mundo” da experiência sensual; em segundo lugar, a consciência associada ao plano ou mundo da forma mental e espiritual - o mundo dos arquétipos -; em terceiro lugar a consciência associada ao plano ou mundo do não-forma. E em quarto lugar, está à consciência associada ao Caminho Transcendental, que conduz diretamente ao Nirvana, Budeidade ou Iluminação, assim como também o estado mesmo da Budeidade ou da Iluminação, ou o estado do Nirvana.

Além disso, há outra classificação que pode resultar mais compreensível. Nesta também há quatro níveis ou períodos da consciência, mas não correspondem exatamente às da classificação anterior. De acordo com esta classificação, temos em primeiro lugar o que se conhece como a consciência sensorial, isto é, a consciência associada à percepção através dos sentidos, que às vezes se denomina consciência simples ou consciência animal. Este é o nível de consciência que temos em comum com os animais. Em segundo lugar, temos a consciência reflexiva, a consciência do ser consciente, do saber que sabemos. Chama-se consciência reflexiva porque neste nível, a consciência se duplica, por assim dizê-lo, conhecendo-se e experimentando-se a si mesma, ao saber consciente de si mesma. Podemos dizer que a consciência reflexiva é a consciência humana em todo o extenso sentido da palavra.

Em terceiro lugar temos o que se chama Consciência Transcendental, a consciência que, se pode dizer, está em contato direto com a Realidade, a Realidade Ultima, fundamental e essencial das coisas que se experimentam como objetos “externos”. Em quarto e último lugar, temos a Consciência Absoluta. Neste nível a dualidade sujeito-objeto se dissolveu completamente, dando passo à experiência total da Realidade Ultima, que, em suma, é a experiência pura, além do marco dualista. Em ambas as classificações o primeiro nível de consciência corresponde predominantemente ao ser humano corrente ou ignorante, que não se esforça por se desenvolver espiritualmente; e o quarto nível corresponde ao ser humano Iluminado.

Agora podemos começar a entender o que é a vida espiritual, o que é em essência a Evolução Superior. Podemos dizer que esta consiste em uma progressão contínua de estados de consciência e de ser cada vez mais sublimes, indo desde o mundo da experiência sensual ao mundo da forma mental e espiritual; do mundo da forma mental e espiritual, ao mundo do não-forma e, do mundo do não-forma, ao Nirvana ou estado de Iluminação. Em outras palavras a vida espiritual ou Evolução Superior consiste na progressão do estado de consciência sensual até a consciência reflexiva; da consciência reflexiva à Consciência Transcendental, e da Consciência Transcendental à Consciência Absoluta. Agora podemos compreender o que é a meditação. Com efeito, podemos entendê-lo mais claramente ao haver distinguido os fundamentos da vida espiritual.

Há algo mais, no entanto, que devemos mencionar; dizemos que a vida espiritual consiste no desenvolvimento da consciência, e que o budismo ou Dharma é tudo aquilo que nos ajuda neste desenvolvimento. Mas, há dois métodos ou dois enfoques diferentes para desenvolver a consciência, aos quais podemos chamar método objetivo ou indireto, ou método subjetivo ou direto. Se usarmos esta classificação poderemos definir a meditação. A meditação é o método direto ou subjetivo para elevar o nível de consciência; isto é, na prática de meditação elevamos o nível da consciência ao estar atuando diretamente sobre a mente. Antes disso, não obstante, devemos falar um pouco do método objetivo ou indireto.

Há os que pensam que a meditação é o único meio para elevar o nível da consciência; como querendo dizer que não “deve” tratar-se de melhorar o estado de consciência se não é através do método direto. Estas pessoas chegam a identificar a meditação com a vida espiritual, a identifica exclusivamente com a prática de meditação. De modo que, no seu critério, não é possível seguir uma vida espiritual se não se medita. Estas pessoas às vezes chegam ao extremo de identificar a vida espiritual com uma classe particular de meditação, ou com um exercício de concentração muito específico. Indubitavelmente este ponto de vista é muito limitado, tanto, que nos faz esquecer que a vida espiritual consiste essencialmente em elevar o nível da consciência, e até nos faz esquecer, às vezes, o que é realmente a meditação.

É indiscutível que a meditação é tão importante como os métodos indiretos, e talvez se poderia dizer, que é mais importante; mas não devemos esquecer que existem outros métodos. Se nos esquecemos que é possível elevar o nível da consciência através de métodos indiretos, nosso enfoque será muito parcial; e se atuamos deste ponto de vista, tenderemos a levar uma vida espiritual muito limitada e estreita, excluindo, por exemplo, certo tipo de gente que, por temperamento, não sente um interesse particular pela meditação. Então, vejamos agora alguns destes métodos indiretos, não meditativos, para elevar o nível da consciência.

Em primeiro lugar podemos citar a mudança de meio ambiente. Este é empregado de uma forma deliberada como método indireto para elevar o nível da consciência, quando por exemplo, vamos de férias ao campo ou a um centro para férias. Passamos ali uns dias, talvez umas semanas, simplesmente desfrutando de mais um ambiente prazeroso. Esta simples mudança de ambiente é a miúdo mais proveitoso do que se acha; o qual nos sugere que o meio onde vivemos e trabalhamos normalmente é mais prejudicial para nosso estado mental do que supúnhamos. Parece que para a grande maioria uma mudança positiva de ambiente traz consigo, de uma forma muito natural, um aumento no nível de consciência, ainda com muito pouco esforço.

Outro método indireto, muito simples e prático é o que se pode chamar a “Subsistência Correta”. Com muitas poucas exceções todas as pessoas têm que trabalhar para ganhar seu sustento. Muitos de nós faremos o mesmo tipo de trabalho cinco dias por semana, durante as cinqüenta semanas do ano; e talvez, continuaremos este trabalho uns cinco, dez, quinze, vinte ou trinta anos, até chegar à idade da aposentadoria. Indubitavelmente tudo isto terá um efeito contínuo sobre nossa mente. Se o trabalho que desempenhamos é doentio, no sentido moral, mental e espiritual, o efeito sobre nossa mente será prejudicial. Por isso, nas doutrinas do Buda se aconselha muito especialmente que examinemos cuidadosamente nosso meio de subsistência, e que sigamos a “Subsistência Correta” isto é, que ganhemos nosso sustento de maneira tal, que não seja prejudicial para nosso estado mental, nem lhe cause dano a outros seres.

Na tradição budista há uma série de ocupações que são consideradas pouco proveitosas, como o trabalhar de açougueiro, comerciante de armas, fornecedor de licores… Por conseguinte, ao mudar nosso meio de subsistência, se é que o atual é pouco desejável, pelo simples feito de mudar de trabalho, de ambiente, o tipo de gente com a qual nos associamos, as obrigações diárias, tão só por este fato, notaremos um efeito positivo e proveitoso em nosso estado mental, ou pelo menos nossa nova ocupação não nos impedirá elevar o nível de nossa consciência. Se formos mais ainda concretos e específicos, diremos que é muito importante levar uma vida regular e disciplinada; algo que aparentemente se está se tornando cada vez menos popular.

Uma vida disciplinada pode consistir na observância e a prática de certas normas e princípios morais, em trabalhar, comer, estudar e recrear-nos há horas regulares. Ou em ser moderados no comer, dormir e falar; talvez jejuando de vez em quando ou observando o silêncio por uns dias ou semanas. Na sua forma mais completa este tipo de vida, é a que se chama vida monástica. Podem observar-se claras mudanças nos estados mentais daqueles que levaram tal estilo de vida por vários anos, ainda sem a prática de meditação. Existem dois métodos indiretos tais como o Hatha Yoga, ou yoga como cultura física. Especialmente, existem os asanas ou posturas de yoga, que afetam não só ao corpo, mas à mente. Estes asanas afetam à mente indiretamente através do corpo e são muito úteis, ainda para aqueles que praticam a meditação regularmente. Pode que às vezes um meditador mais experiente se sinta muito preocupado pela meditação; em tais ocasiões, algumas posturas de yoga resultam muito beneficas para acalmar e concentrar a mente.

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