O poder da Palavra Campo Largo, Paraná
(41) 3224-3346
Curitiba, Paraná
(41) 3335-5252
Curitiba, Paraná
(41) 3259-6620
Curitiba, Paraná
(41) 3212-3213
Curitiba, Paraná
(41) 3222-4896
Curitiba, Paraná
41 33351216
Curitiba, Paraná
(45) 9933-0288
Curitiba, Paraná

O poder da Palavra
Por Mary Sagan
Recentemente estive repassando um texto de filosofia, mais exatamente aquele no qual Platão nos mostra seu “Mito da Caverna”. Para aqueles que não o conheçam farei um resumo a maneira de introdução.
Imaginemos um grupo de pessoas que desde o começo de seus dias viveram em uma caverna e impossibilitados de sair e na qual podem observar em uma de suas paredes diferentes sombras que se refletem. Tudo o que eles conhecem de nosso mundo foi através de relatos e interpretações que fizeram das sombras acima mencionadas. Um dia um deles sai da caverna e observa o que há fora dela. Passado um tempo volta a contar-lhe a seus antigos companheiros as experiências vividas. Eles não o crêem.
Aqui é interessante observar os dois lados da moeda. Por um lado, aquilo que experimentam diariamente os que estão na caverna, e sobretudo aquela experiência magnífica que vivência o sujeito que sai dela.
Cotidianamente conversamos com muitas pessoas e lhes costumamos da alguma atenção. De vez em quando nos prestamos atenção ao que nós mesmos nos dizemos. E é através de nossa linguagem que podemos, ou tentamos fazê-lo, descrever uma série de experiências que nos acontecem, no entanto nem sempre nos alcançam as palavras para realizar dita tarefa com sucesso.
“A conduta verbal seria muito menos efetiva se não fosse possível utilizar extensões metafóricas.”¹
Se nos situamos momentaneamente em uma situação completamente nova para nós seguramente nos custará um certo esforço para encontrar a palavra ou um conjunto de palavras que permitam transmitir a mensagem desejada. Um menino que pela primeira vez bebe um pouco de soda poderia manifestar: “É como quando uma perna minha adormece “, para explicar a cosquinha que sentiu na língua. Se a pessoa que escutava o menino lhe responde com um “muito bem” teria reforçado dita conduta e é possível que algum dia em uma poesia escrevesse uma linha semelhante.
Quando uma resposta metafórica é efetiva e se reforça adequadamente, deixa de ser primordialmente uma metáfora. “O termo rato se transformou em uma forma standard que usa a comunidade para se referir a tamanho pequeno, timidez e outras propriedades”.²
Há, no entanto uma dificuldade a superar no uso destas associações. Quando uma extensão metafórica tem uma conotação específica, esta deixa de lado as demais propriedades que lhe rodeiam ao objeto mencionado, o qual não só reduz a quantidade de informação que transmitimos sobre o objeto mas além disso acrescenta informação que possivelmente não queríamos que seja fornecida.
“Mesmo que uma imagem valha mais que mil palavras para certos propósitos, não é fácil fazer imagens de certas propriedades tratadas com sucesso através da extensão metafórica. Poderia ser possível em certas classes de símbolos ou na arte surrealista sugerir ou mostrar que Julieta é o sol para Romeo, mas o truque se alcança com maior facilidade no meio verbal. O tato extenso libera as propriedades dos objetos uma da outra e, portanto, possibilita uma recombinação que não se restringe às exigências do mundo físico.”³
Estas associações tornam a vida mais fácil para nós e mediante um conjunto de palavras podemos criar em nossa audição a experiência indicada até que contemos com uma nova palavra que as substitua e então teremos construído dentro de nós um novo conceito. As definições se elaboram mediante um conjunto de extensões, às vezes metafóricas.
As extensões metafóricas cumprem outro papel em nossas vidas que o de enriquecer nossa capacidade comunicativa. Já que seria impossível para nós conduzir tanta informação, é aqui onde recorremos a três “truques” mediante os quais filtramos a realidade. Estas filtragens são desqualificadas, por exemplo, durante um testemunho ante o juiz, quem evitará que aos eventos lhe acrescentemos, suprimamos, arredondemos, demos por feito, interpretemos, generalizemos, distorçamos ou eliminemos partes. Mas conosco mesmos não somos tão restritos e sim mais bem “alcoviteiros”, se me permite utilizar dito termo. Finalmente usamos três tipos de filtragens de nossa realidade: 4 generalizações, eliminações e distorções.
Mediante as generalizações buscamos facilitar nossa vida mediante o uso de “verdades absolutas” que nos indique de maneira inequívoca qual será o caminho a seguir. Um homem que tem passado na prisão certo tempo, poderia chegar e transformar em lei própria a seguinte oração: Não expresse teus sentimentos. Se mantiver o mesmo comportamento com sua esposa, é possível que ela se incomode e terminem cumprindo-se seus temores e finalmente em lugar de lhe trazer benefícios lhe trará dificuldades.
A eliminação nos permite isolar todos os sons dentro de uma sala com muito ruído, mas também nos pode levar à armadilha de aplicá-la no momento errado, que é como o consideramos quando derrotamos a nós mesmos. Um homem que achava não merecer o afeto de sua parceira manifestava não receber por parte dela prova de seu amor, mas o que ocorria era que este não lembrava certos episódios, construindo assim uma apreciação que não se ajustava ao que acontecia.
Quando o mapa que criamos não se acomoda a uma experiência temos duas alternativas: duvidamos do mapa ou duvidamos de nossa experiência 5. Em termos de consumo de energia é mais econômico duvidar de nossa experiência, depois que todo o mapa seguramente foi confirmado em numerosas ocasiões. Outro caminho que poderia seguir nosso homem seria duvidar da autenticidade das manifestações de amor de sua esposa e talvez chegar a pensar que certas expressões fazem parte de algum tipo de comportamento para conseguir algo. É assim como a distorção que nos “evita ser derrotados por nós mesmos”.
Costuma acontecer que os transtornos que temos em nossas condutas são conseqüências de nossas filtragens 6. Nos fazer conscientes de como reduzimos, a uma mínima expressão, as quantidades de informação que manipulamos pode facilitar o nosso caminho para uma vida mais satisfatória. Uma maneira de alcançar o anterior consiste em lembrar a situação difícil de nossa vida e enriquecê-la com mais experiências que acontecem nesse momento. Esta prática, de evitar reduzir à informação que manipulamos a tão reduzida magnitude, nos deixa mais livres, isto é, mais flexíveis, graças ao que nos deixa reconhecer apropriadamente a diferença que há entre as diferentes situações da vida. Através do exercício anterior particularizamos a eventualidade não desejada.
Para aqueles que queiram escutar melhor a si mesmos e aos demais lhes recomendo o livro “Estrutura da magia (I)”.
NOTA:
1Conduta Verbal. S/D Skinner. Pag 107.
2 Conduta Verbal. S/D Skinner. Pag 110.
3 Conduta Verbal. S/D Skinner. Pag 111.
4 Utilizo a expressão nossa realidade para deixar claro o seguinte fenômeno. Na oração O carro é vermelho usualmente achamos que a palavra vermelho é uma descrição do carro, mas o que estamos descrevendo é a experiência de receber certa freqüência de luz com nossos olhos.
5 Em alguns casos podem ser que o caminho bem-sucedido se encontre duvidando de ambos, o mapa e a experiência.
6 O mapa muitas vezes não é como o território (parafraseando um pouco uma oração que lemos incontavelmente em textos de PNL).
Tradução – www.suamente.com.br – Aprenda mais sobre sua mente!
Fonte: http://www.pnlnet.com/chasq/a/16