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Estratégias para lidar com a insônia
- Parte 1
- Parte 2
Entendemos por insônia a incapacidade de dormir quando se deseja. Exclui as perturbações do sono provocadas por ambientes ruidosos, calor excessivo, enfim, aquelas causas externas que, quando eliminadas, o indivíduo passa dormir normalmente.
Excluindo-se as causas orgânicas, neurológicas (que necessitam de uma investigação médica), vários fatores atrapalham o sono normal. Analisaremos aqui alguns deles.
Diálogo interno
É um tipo de ruído, de barulho, só que é interno, causado por nossa própria “voz interna”. É quando ficamos dizendo coisas em nosso pensamento, ficamos repetindo frases como: “Amanhã eu não posso me esquecer de levar o carro para lavar. Mas, e se chover? Depois eu tenho que levar as crianças à escola. Depois… E então…” Da mesma maneira que precisamos silenciar os barulhos da casa para podermos dormir, precisamos silenciar o barulho interno.
Uma maneira de fazê-lo é tentar “abaixar o volume” deste diálogo, fazendo com que nossa “voz interna” fique mais suave, mais lenta, “macia”, monótona. Tente deixar esta voz parecida com a daquela famosa locutora de um aeroporto, que fala pausadamente, com uma voz macia, quase sensual. Isto já pode ser suficiente para que o sono venha.
Há pessoas que deixam para fazer um balanço de tudo o que aconteceu no dia justamente na hora de dormir. Daí ficam recordando o que ouviram, o que lhes disseram, as músicas que escutaram, etc. E ficam passando novamente pelas mesmas emoções sentidas durante o dia, em geral com a mesma intensidade do momento em que ocorreram.
Poderíamos dizer que neste momento experimentam um verdadeiro carrossel de emoções, cheio de altos e baixos, de emoções intensas e outras mais amenas.
Se discutiram com alguém no trabalho, ficam se lembrando de cada palavra dita e ouvida , e ainda, daquilo que poderiam ter dito. Sentem novamente raiva, tensão, medo, enfim, é como se passassem pela situação uma segunda vez.
Em geral este ruído interno traz consigo as imagens correspondentes. A pessoa pode ver a si mesma passando pela situação, como num filme, ou então poderá ter a impressão de que está dentro do filme, como se a situação estivesse ocorrendo exatamente ali onde ela se encontra. O resultado disto é semelhante a um filme de ação. Lembre-se do melhor filme de ação, suspense e aventura que você assistiu. Agora responda: você conseguiria dormir assistindo a um filme como este?
Imagens e sons trazem a sensações correspondentes: o coração pode bater mais rápido, o indivíduo poderá começar a transpirar, a experimentar diferentes graus de tensão e ansiedade. O corpo responde a estas imagens, sons e sensações de forma diretamente proporcional, ou seja, reage como se a pessoa estivesse em plena atividade, a todo vapor , quando o que ela mais desejaria neste momento seria dormir e relaxar.
Há pelo menos duas alternativas para lidar com esta situação. A primeira é não levar para a cama nenhum tipo de problema, plano, projeto, dúvida, recordação, “balanço”, etc. Sugerimos que cada pessoa tenha em casa um lugar específico para pensar neste tipo de assunto, de forma que antes de se deitar, dirija-se a este local e pense até cansar, ou melhor, até sentir sono. Ao deitar-se na cama, se surgirem outros assuntos que haviam sido esquecidos, sugerimos que se levante e volte àquele local determinado para esta finalidade, caso não seja possível adiar o assunto para um outro dia, e volte para a cama após tê-lo esgotado.
Isto é importante porque nós nos condicionamos a tudo. Nosso corpo se condiciona e nosso cérebro também. Se você se condiciona a pensar na vida todas as vezes em que vai para cama, passará a fazer isto automaticamente. Bastará você deitar a cabeça no travesseiro para que seu cérebro passe a trabalhar em imagens, sons e sensações. Por este motivo estamos sugerindo que você se condicione a pensar em outro local que não seja o seu quarto.
Uma outra maneira é condicionar-se a só ir para cama quando sentir sono, ao invés de ficar na cama esperando que o sono chegue. Mesmo durante o dia, se sentir sono, seria benéfico dirigir-se à cama e lá permanecer durante alguns minutos. Agindo desta forma, está-se fazendo uma associação (um condicionamento) entre sono e cama. Seria como se você estivesse dizendo ao seu cérebro: “Lugar de sentir sono é na cama” e “Assim que me deito , durmo, automaticamente”.