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Curando a doença do medo
O medo é um sentimento de grande inquietação diante de um perigo real ou imaginário. Isso mesmo, podemos sentir medo tanto diante de fatos reais, como aquele que sentimos diante de um cão bravo, como medo de “coisas imaginadas” tais como medo de um “ataque alienígena”, medo de alma penada, medo de duendes, gnomos etc. É um sentimento natural e necessário ao homem. O problema é quando ele causa sofrimento, prejudicando a vida e a carreira da pessoa.
O medo de sermos atropelados, por exemplo, nos faz olhar para os dois lados da rua antes de atravessá-la. Da mesma forma, é o medo de não cumprir o prazo dado pelo chefe que nos obriga a concentrar esforços e muitas vezes trabalhar até tarde para dar conta do recado. Até o medo de errar é normal e natural.
O problema é quando ele se torna exagerado e vem associado a outros fatores como insegurança, baixa auto-estima e depressão. É nesse estágio que o medo deixa de ser um sentimento primário (como o amor e a raiva), para tornar-se algo mais complexo que necessita de cuidados.
Diferença entre medo e fobia
A palavra fobia vem do grego “phobia”; esta, por sua vez, deriva-se da palavra grega “phobos”, também nome de um deus grego, significando “pânico, terror”. Segundo a lenda, esse deus provocava medo intenso em seus inimigos, já que tinha um rosto terrivelmente feio.
A fobia é uma forma especial de medo, e apresenta as seguintes características:
1) desproporção entre a gravidade da situação e a emoção despertada;
2) ausência de controle voluntário;
3) tendência a evitar a situação.
A prática clínica têm verificado que a origem de tais distúrbios é um somatório de fatores genéticos, histórico-pessoais e da cultura onde o cliente se desenvolveu. Para o tratamento das fobias, qualquer que seja a técnica escolhida, é fundamental que o cliente esteja motivado para eliminar o comportamento fóbico. Boas formulações auto-hipnóticas (auto-sugestivas) podem trazer excelentes resultados. Especificamente nesse caso, é recomendável que numa fase inicial, o indivíduo cumpra um mínimo de três sessões diárias incluindo o relaxamento.
Reações mais comuns diante do medo:
1. Fuga
É a reação típica mais freqüente. Ela pode ser ativa, quando o indivíduo evita uma situação presente que lhe causa aversão. Pode também ser passiva, que é quando evitamos qualquer coisa que tenha sido associada à antigas punições. As fobias podem servir como exemplo nesses casos.
2. Imobilidade
Se a fuga pela ação não é possível, então fugimos pela omissão. Nesse caso, aparece o desmaio (com bradicardia e queda de temperatura corporal, que são associadas à palavra “negação”). Quando o perigo é iminente e incontrolável, súbito e potencialmente letal, o organismo pode desenvolver tal tipo de fuga. Há registro de mortes por parada respiratória ou cardíaca (”morte de susto”) e de outros casos em que o indivíduo desenvolve paralisias funcionais parciais ou gerais.
3. Defesa agressiva x agressão
Ambas as situações são formas de fuga à ansiedade (ou ao estímulo) que o desencadeou. Na defesa agressiva, o indivíduo “blefa” com uma postura corporal agressiva contra atacantes potencialmente perigosos. É uma atitude de “risco”, que os animais tomam apenas em situações extremas como, por exemplo: quando uma fêmea de coelho defende os filhotes contra uma raposa, ela apresenta uma postura de coluna vertebral arqueada, o que faz seu tamanho aparentar ser bem maior . Aparece também entre animais da mesma espécie, quando, por exemplo, uma mãe defende o filho contra o pai que o ameaça, colocando-se à sua frente e alargando seu tórax de modo a “esconder a cria” atrás de si. Nós, seres humanos, primatas superiores, herdamos o contato visual direto como uma forma de comunicar superioridade e gerar ansiedade social nos membros mais inseguros ou inexperientes.
Já a agressão ocorre em última instância. É sabido que os animais ditos “inferiores” só agridem quando não têm outra forma de fugir do ataque a que se julgam ou estão submetidos. Um leão só atacará se doente ou com muita fome e, mesmo assim, dificilmente o fará sobre uma fêmea prenhe ou que esteja amamentando.
As agressões no homem são mais freqüentes que nos demais animais. As “defesas agressivas” verbais e posturais logo se caracterizam em ataques verbais ou corporais, que levam à imobilização do oponente.
4. Sumissão
Há várias situações em que vemos o ser humano usando de estratégias “diplomáticas” que “desarmam” o seu agressor. É preciso diferenciar dois tipos de submissão: a real e a estratégica. Na real, o indivíduo deixa de lutar e se crê realmente um perdedor. Desiste. Deprime-se. Na estratégica, o organismo avalia suas chances, analisa a situação, observa seu opressor e tenta descobrir maneiras de conhecê-lo melhor. Para isso ele precisa de tempo e ganha esse tempo tornando-se aparentemente submisso.
Com a falsa submissão, o indivíduo anteriormente colocado em situação inferior ganha tempo, alivia sua ansiedade , “estuda” o contexto e tenta resolver a ocasião conflitante geradora de ansiedade.
A fisiologia do medo:
Toda e qualquer emoção tem uma representação no cérebro, que é mediada por neurotransmissores, entre eles a noradrenalina, a serotonina e a dopamina.
A fisiologia do medo se inicia nas amígdalas (estruturas que nada têm a ver com as da garganta), que têm o formato de uma noz e ficam próximas à região das têmporas. Elas identificam uma situação ou objeto do qual se deve tomar cuidado e enviam ao hipotálamo o sinal para a produção dos neurotransmissores. A partir daí, começam as reações no organismo que nos deixam em estado de alerta para agir, enfrentando ou fugindo da situação.
As amígdalas estão presentes na maioria dos animais. São elas, por exemplo, que fazem com que um cervo reconheça o perigo e fuja de seu predador.
O que diferencia o homem dos outros animais é que ele é o único ser capaz de ter medo do medo. Isso acontece porque o homem é o único animal que consegue “imaginar”. E a imaginação, como dizia Einstein, é mais forte que o conhecimento.
O poder da imaginação
Napoleão costumava dizer que “a imaginação controla o mundo”. Realmente, se você estiver numa rodinha de amigos e supreendê-los informando que há uma epidemia de piolhos no bairro, poderá reparar que em poucos minutos todos estarão coçando a cabeça, expressando preocupação.
Assim como um eletrocardiograma acusa os mais finos impulsos elétricos de seu coração, o eletroencefalograma também registra os menores impulsos elétricos do seu cérebro. Se alguém se sente realmente ameaçado por um inimigo, surgem no eletroencefalograma registros que são exatamente iguais aos que se originam quando alguém apenas imagina que está sendo ameaçado. Se alguém tem a certeza e sente que está passando por um grande vexame, as curvas do seu eletroencefalograma se assemelham por completo às que teria apenas com a imaginação viva de estar se tornando alvo do vexame.
Podemos, desta forma, estabelecer alguns princípios fundamentais sobre a ação/reação da imaginação sobre a realidade.
1 - O que determina o nosso modo de agir não é a realidade existente, mas aquilo em que cremos e que, para nós, é a verdade.
A pessoa que se sente ameaçada ou perseguida, mesmo que não haja nenhum perigo em torno dela, vive com medo da “sua realidade” que, mesmo sem ter relação com a “realidade externa”, é muito poderosa para ela. E os nossos medos podem ser entendidos desta forma.
Os nossos medos não precisam refletir a realidade externa, porém, fazem parte da nossa realidade interna. É por isso que muita gente tem medo de alma penada, curupira, extra-terrestres etc.
2 - A imaginação é capaz de provocar alterações de toda sorte no organismo de uma pessoa
E, comprovadamente, estas alterações têm correlação qualitativa: pensamentos positivos - fé, amor, esperança, alegria etc. - provocam reações saudáveis na pessoa. Sentimentos negativos - ódio, ressentimento, medo etc. - provocam reações desagradáveis, como por exemplo, dores, prisão de ventre, indisposição estomacal, insônia e, segundo comprovam as pesquisas, também fazem baixar o nível imunológico tornando a pessoa predisposta à infecções de diversos tipos.
3 - Tudo o que pensamos, com clareza e firmeza, transplanta-se, dentro dos limites do bom senso, para a faixa somática.
Ao imaginarmos que estamos comendo uma fatia gostosa de abacaxi, é comum que as glândulas salivares comecem a segregar saliva, já repararam isso? Se imaginarmos, com firmeza, que não podemos fazer uma coisa, por exemplo, soltar as mãos fortemente encaixadas uma na outra, então não poderemos mesmo.
4 - Nosso consciente é constantemente influenciado pelo subconsciente Desta forma, podemos programar nosso subconsciente para o sucesso da mesma forma como podemos programá-lo para o fracasso.
5 - Quando a razão e a imaginação têm pontos de vistas diferentes, vence sempre a imaginação.
A imaginação é mais forte que a inteligência. Mesmo sabendo (razão) dos riscos estéticos de comer doces a toda hora, poucos resistem à idéia (imaginação) de provar uma fatia daquele pudim de laranja gostoso que está na geladeira. Assim sendo, nenhuma pessoa inteligente deve fazer tentativas a partir, exclusivamente, da “força de vontade”. Antes disso, ela precisa, necessariamente, reprogramar sua imaginação.
É exatamente neste princípio que se fundamenta a cura do medo pela auto-hipnose. Observe que o medo é uma projeção da imaginação. Se você “imagina” que os cachorros vão lhe morder, não os enfrentará.
6 - O acesso mais fácil para o subconsciente é o estado de total relaxamento
Quando as ondas cerebrais caem para em torno de oito ciclos por segundo - estado alfa - abrem-se os poros do nosso subconsciente facilitando a transferência de informações do consciente para a memória profunda. Assim sendo, é justamente quando estamos relaxados que devemos “incutir” na nossa mente as novas verdades nas quais queremos acreditar.
Pontos importantes a considerar:
1 - Uma coisa que angustia uma pessoa, nem sempre angustia outras pessoas. Isto prova que as nossas angústias decorrem muito mais da forma como “apreendemos” determinados conceitos do que próprio fato em si. Exemplo? Alguns estudantes têm medo de matemática, outros não. Logo, o que é pernicioso não é a matemática, mas sim o medo da matemática.
2 - Se você repetir, com insistência, uma determinada “informação”, esta informação será apreendida pelo subconsciente e se converterá em verdade. Exemplo? Se você repetir com insistência “quando deito na cama, pego no sono com extrema facilidade” nunca mais passará uma noite insone. Sabe por quê? Porque quando você deitar na cama, seu subconsciente identificará este ato e responderá com ordem de adormecer.
3 - Quando, entretanto, você repete uma “informação” (como uma ordem) estando auto-hipnotizado, ou seja, em profundo relaxamento, esta informação segue direto para o subconsciente, fazendo com que você ganhe tempo e eficiência.
4 - Você nunca deve expressar sua vontade para informar ao subconsciente o que “não deseja”. Isto, como vimos, provocaria um duelo entre a sua vontade e a sua imaginação. Se você afirmar “não tenho medo de quarto escuro”, seu subconsciente responderá “tem sim!”, porque esta é a sua realidade. Se você, entretanto, afirmar “quarto escuro, tudo bem”, evitará o duelo vontade/imaginação e seu subconsciente incorporará esta frase como uma nova verdade. E você logo perderá o medo de quarto escuro.
5 - De um modo geral, todos os males orgânicos têm um correspondente psicológico. E, quase sempre, esses correspondentes estão ligados ao medo, aos preconceitos e/ou ao ressentimento.
6 - Se você, sempre que lembrar de um mal físico ou psicológico (que esteja lhe acometendo), repetir três vezes “estou melhorando rapidamente”, com certeza terá melhoras expressivas… e rapidamente. Experimente!
7 - Você é capaz de vencer qualquer tipo de medo, repetindo com insistência: “tal coisa (cite o objeto do medo) é completamente indiferente para mim”. Um exemplo? Veja: “lugares altos ou lugares baixos são completamente indiferentes para mim. São só lugares onde sempre me sinto muito bem.”
8 - Quer emagrecer? Repita: “alimentos que engordam são completamente indiferentes para mim”. Ou, “como sempre moderadamente, e tenho uma preferência especial com comidas leves e sem gordura”.
9 - Quer vencer a timidez? Repita: “muito me agrada o convívio com outras pessoas. Me sinto muito bem conversando com elas”. Ou, “Diante de estranhos, muita calma.”
10 - Lembre-se: cada “problema”, seja ele físico ou mental, resulta de um conceito mal formulado. Reformule o conceito e resolverá o problema. Tal como num problema de matemática. Não há mistério nisso.
11 - Se você, a partir de hoje, dedicar mais um pouco de atenção às outras pessoas, se envolver mais com a humanidade (entendendo que as pessoas só reagem mal porque “apreenderam” conceitos errados) e, doar mais afeto e compreensão ao invés de tentar “concentrar” o mundo ao seu redor, com certeza você estará começando uma nova vida. Uma vida - com certeza - sem medos e plena de realizações.
Repita várias vezes por dia:
“Por ação deste meu tratamento, vou me sentindo cada vez melhor, cada vez mais calmo, mais tranqüilo, mais seguro e mais confiante em mim mesmo. Sou dinâmico, saudável, alegre e bem-disposto.”
“Por isso estou a cada dia melhor…”
“Porque… todos os dias, sob todos os pontos de vista… vou cada vez melhor!!!”
Como você pôde ver, sentir medo é absolutamente normal. Todas as pessoas sentem, cada uma ao seu modo. A questão é tão-somente saber administrá-los, diminuir sua importância, torná-los banais. Isso é possível através das técnicas auto-sugestivas e auto-hipnóticas que você acabou de ler.
Da mesma forma como você reage com naturalidade diante dos fatos corriqueiros da vida, pode também reagir assim diante de eventos, imagens ou situações que hoje lhe causam temor. Basta que você se dê alternativas.
Quando você entra num quarto azul ou quando você entra num quarto verde, não experimenta sensações acentuadas, simplesmente porque tanto o quarto azul quanto o quarto verde são indiferentes para você. Pois é exatamente essa indiferença que você tem que atribuir ao motivo do seu medo, seja ele qual for.
Tenho a mais absoluta certeza de que você vai conseguir.
Fonte: www.auto-hipnose.kit.net