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Aprenda a ser um líder de sucesso
Surinder Deol
Outra forma de fazer a mesma pergunta: As habilidades de liderança podem ser ensinadas de maneira significativa? É interessante notar que o “desenvolvimento da liderança” não fazia parte do vocabulário empresarial antes do final dos anos 1970, mas atualmente é uma das questões mais importantes para todo tipo de empresas – grandes e pequenas. A quantidade de livros e artigos escritos sobre o assunto somente durante os últimos 10 anos encheriam uma biblioteca inteira.
A Harvard Business Review, considerada a fonte da teologia atual de gerenciamento, dedicou sua edição de Dezembro de 2001 ao tópico da liderança – a primeira edição especial na história da HBR. E, quase ao mesmo tempo, eu vi uma edição da Business Week (14 de Janeiro de 2002) que dedicou diversas páginas aos 25 principais gerentes do ano de 2001.
Que leituras você considera necessárias para os líderes empresariais de amanhã? Certamente, não são os títulos que se poderia comprar num quiosque de aeroporto. De acordo com a HB, os líderes precisam ler Maquiavel, Thomas Carlyle, Siegmund Freud, Hannah Arendt, Chester Barnard, Hamilton e Madison, e Martin Luther King. Todas boas leituras, mas quem já pensou nisso antes? E quando perguntados onde aprenderam suas habilidades de liderança, alguns líderes empresariais importantes mencionaram fontes de inspiração como orientadores de basquete, mães e pais, colegas mais jovens, um patrão de mau gênio, e textos religiosos como a Bíblia e o Bhagvad Gita.
A peça mais controvertida da HBR, em minha opinião, foi o artigo sobre liderança “Primal Leaders: The Hidden Driver of Great Performance”, de Daniel Goleman e outros. Este é considerado um “artigo baseado em pesquisas” usando o material da inteligência emocional – a teoria básica que está por detrás dele. O problema que tenho com isso não é que a inteligência emocional seja uma teoria ruim, mas sim uma teoria incompleta. Quem pode duvidar do fato de que as pessoas que apresentam uma disposição melhor na maior parte do tempo se tornam líderes eficientes comparados com as pessoas que têm um mau gênio? A teoria é sobre o cérebro (neurologia) e não diz muito sobre a programação! A pesquisa sobre o cérebro é um gancho interessante, porque é algo concreto e cheira a bom trabalho empírico de “cientistas” importantes. Mas, falta algo. Vamos usar uma analogia. Se o tubo de imagem for ruim, minha TV vai me apresentar uma imagem péssima. Mas o tubo de imagem, por si só, não gera programação que satisfaça minhas necessidades intelectuais ou de recreação. Essa necessidade é atendida por uma fonte diferente. Se o cérebro for como o tubo de imagem (um órgão) a fonte da programação pode ser a “mente” ou a “consciência” ou algo diferente. Realmente, é uma pena que Daniel Goleman, que é uma pessoa profundamente espiritual, e que passou anos na Índia em contato com gurus e rishis e conhece bem essas distinções, tenha caído na armadilha de empacotar um conceito que está gerando milhões de dólares em renda todos os anos, mas que é pouco profundo em sua própria essência. Naturalmente, as pessoas gostam das explicações simples. Se eu puder excitar meu cérebro um pouquinho, poderei tornar-me um grande líder! Soluções simples vendem facilmente e muito bem no mercado atual.
Existe, também, muita confusão sobre se os líderes e os gerentes são da mesma espécie. A HBR reimprimiu o artigo de John Kotter, datado de 1990: “What Leaders Really Do”, que esclareceu algumas diferenças essenciais. Kotter estava certo: a liderança e o gerenciamento são dois sistemas de ação distintos mas complementares. Não existe algo como “gerentes-líderes”. O gerenciamento diz respeito à administração da complexidade e a liderança, por contraste, diz respeito à administração da mudança. As ferramentas do gerente são o planejamento e o orçamento, a organização e o pessoal, o controle e a solução de problemas. A liderança, por sua vez, diz respeito a estabelecer uma direção, alinhar o pessoal, motivar e inspirar. Esta é uma coisa simples, mas eu sei que as organizações gastam muito tempo e dinheiro desenvolvendo gerentes-líderes com resultados mistos. É raro ver um grande gerente que também seja um grande líder, ou vice-versa. O Prefeito Rudolph Giuliani pode ter passado este teste sob as circunstâncias mais desafiadoras, mas não muitos outros executivos são capazes disso.
Da lista de 25 gerentes da Business Week, Oprah Winfrey é claramente um líder (um líder na prática de confortar almas), mas outros, como Louis Gerstner (IBM) são gerentes eficientes com algumas qualidades de liderança. Quais são as qualidades que fazem um grande gerente? Com base nos perfis apresentados pela revista, essas qualidades consistem na focalização, tomada rápida de decisão, compromisso com a inovação e criatividade, construção de confiança, satisfação do cliente, trabalho comunitário, lazer desafiador como maratona de corrida, e nunca renunciar ao compromisso com a qualidade.
Onde entra a PNL no desenvolvimento da liderança? Como em muitas outras áreas, a contribuição original vem de Robert Dilts, e o seu livro Visionary Leadership Skills (1996) é uma contribuição muito útil à literatura sobre o assunto. O trabalho de Robert preenche o vácuo deixado pela literatura especializada, nomeadamente as distinções entre as formas meta, macro e micro de liderança. Ele usa, também, a moldura do sistema para ligar interconexões entre o sujeito (habilidades de auto-liderança), o sistema (habilidade de pensar sistemas), o objetivo (habilidades de pensamento estratégico) e outras (habilidades de relações). A abordagem de Robert também incorpora e constrói sobre seu modelo “seis níveis lógicos de mudança e alinhamento.” Acima de tudo, este livro dá aos practitioners da PNL uma ferramenta muito útil para oferecer uma contribuição significativa. Sem dúvida, seria desejável que um número maior de líderes com conhecimento da PNL devotassem atenção a esse assunto. Parafraseando Robert Dilts: é somente através do trabalho dos líderes que poderemos criar um mundo ao qual todos nós queiramos de pertencer!
Surinder Deol é um orientador independente de transformação pessoal e facilitador, estabelecido em Potomac, Maryland. Ele trabalhou no Banco Mundial em Washington, D.C., projetando e ministrando programas de desenvolvimento gerencial e de liderança. Pode ser acessado em sdeol@erols.com.
Anchor Point, Fev. 2002.
Trad. Hélia Cadore - lcadore@uol.com.br
Publicado no Golfinho Nº87 Maio 2002